quinta-feira, 1 de outubro de 2009
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
O QUINZE INTEGRANTES
Personagens
Conceição - Ravana
Inácia – Raquel
Chico Bento – William
Vicente – Bruno
José – Eduardo
Cordulina - Gustavo
Josias – Stanley
Narrador – Eduardo
Narrador – Depois de se benzer e de beijar duas vezes a medalhinha de São José, Dona Inácia conclui:
Inácia – Dignai – vos ouvir nossas súplicas e alcançai o que rogamos, Amém.
Conceição – Já chegou o fim do mês e nada de chuva.
Inácia - Tenho fé em São José que ainda chove. Você não vem tomar seu café Conceição?
Narrador – A moça ultimou a trança e foi comer calada. A velha bebeu um gole de café e foi fumar no quarto.
Conceição – A benção mãe Inácia!
Narrador – Entrou no quarto e foi para janela olhar o céu.
Conceição – Eh! A lua limpa, sem lagoa, não chove.
Narrador – Escolheu um livro na estante, deitou e começou a ler. Inácia, ouvindo o relógio cantar 12h. Resmungou.
Inácia – Apaga a luz menina! Já é meia noite.
Inácia e Conceição saem de cena.
Vicente – Eh menino, olha a jandaia! Tange pra cá. Você viu compadre João, como a jandaia tem carrapato?
Narrador – João olhou para o animal que todo se pontilhava de verrugas pretas.
João – Tem umas ainda pior.
Vicente – Diabo de tanto carrapato, da vontade é de deixar morrer.
João – Por falar em morrer.Dona Maroca disse que se não chover, não tem mais serviço pra ninguém .
Vicente – Pois eu não! Enquanto houver mandacarú e água no açude, trato do q é meu.
João – Também não vou abandonar meus cabras numa desgraça dessas não.
Vicente – Pobre do vaqueiro dela Chico Bento, ele já está fazendo a trouxa. Diz que vai pro Ceará e de lá pro Norte.
João e Vicente saem de cena.
Chico Bento – Eh muié vamos ter que partir.
Cordulina – Mas Chico tenho tanta pena da minha barraquinha! Onde é que a gente vai viver?
Chico Bento – Em todo pé de pau há um galho mode a gente armar a tipóia.
Narrador – Cordulina levantou – se para balançar o menino que acordou chorando.
Chico Bento e Cordulina saem de cena.
Narrador – Na estação, Conceição e Dona Inácia se prepara para a despedida.
Conceição – Adeus Vicente. Diga ás meninas que escrevo. Porque não vai lá em casa passa uns dias ?
Vicente – Só se eu deixasse tudo morrendo.
Narrador – O trem marcha devagarzinho.
Vicente sai de cena.
Conceição – Que isso mãe Inácia, ainda chorando.
Inácia – Deixar tudo assim, morrendo de fome.
Conceição e Inácia saem de cena.
Narrador – Deitado numa cama de trapos, arquejando penosamente, estava um dos meninos de Chico Bento o Josias. Desde as vésperas Josias adoecera.
Chico Bento – De tarde quando caminhando por uma roça abandonada, Josias marchava mais lá na frente, batendo de encontro a uma mandioca, arrancou – lhe mais ou menos a casca, e enterrou os dentes na polpa amarela e seco ate que avidamente roeu todo pedaço amargo.
Narrador – Enquanto Cordulina ia raspando para um beju o achado, miserável do Josias ao lado dela calado, de vez enquanto fazia uma careta.
Cordulina – Meu filho! Pelo amor de Deus! Você comeu mandioca crua?
Narrador - Assombrado e sentindo a dor mais forte, o pequeno começou a chorar. Cordulina – Atordoada começou a catar umas folhas no chão dizendo q ia fazer remédio.
Cordulina – Chico, Chico! Valha – me minha nossa senhora! O Josias de envenenou!
Narrador – Chico Bento saíra de manhazinha em busca de alguém que ensinasse um remédio. Quando o pai chegou trazendo consigo uma velha rezadeira, Josias já inconsciente, com o cirro da morte, sibilava, mal podendo com a respiração estertorosa.
Velha – Tem mais jeito não... Esse já de Nosso Senhor...
Velha – De onde vens Pedros e Paulo? Venho de Roma. O que há em Roma, Pedros e Paulo?...
Narrador - Chico Bento se encostara á vara da prensa, sem chapéu, a cabeça pendida, fitando dolorosamente a agonia do filho. Setembro já se acabara, com seu rude calor e sua aflita miséria; e outubro chegou com São Francisco e sua procissão sem fim. E novembro entrou mais seco e mais miserável, afiando mais fina, talvez por ser o mês de finados, a imensa foice da morte. Maciamente, num passo resvalado de sombra, Dona Inácia entrou de volta da igreja.
Conceição – Já de volta mãe Nácia?
Inácia – E você sem larga esse livro.
Conceição – Lá vem mãe Nácia com briga.
Inácia – Do que se trata?
Conceição - Trata da questão feminina.
Inácia – Para que precisa saber disso?
Conceição – Para aprender, para me documentar.
Inácia – E só pra isso? Por que você não se casa?
Conceição – Nunca achei quem valesse a pena...
Inácia – Moça que pega a escolher muito acaba ficando na peça.
Narrador – Enfim caiu a primeira chuva de dezembro. Dona Inácia agarrada ao rosário suplicando a todos os santos que fosse um bom começo. Conceição, comovida com a testa encostada ao vidro da janela, acompanhava a queda da água no calçamento empoeirado.
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
Peça "O QUINZE"

Rachel de Queiroz, nasceu em Fortaleza - CE, no dia 17 de novembro de 1910, filha de Daniel de Queiroz e de Clotilde Franklin de Queiroz, descendendo, pelo lado materno, da estirpe dos Alencar (sua bisavó materna — "dona Miliquinha" — era prima José de Alencar, autor de "O Guarani"), e, pelo lado paterno, dos Queiroz, família de raízes profundamente lançadas em Quixadá, onde residiam e seu pai era Juiz de Direito nessa época.
Nascimento:
17/11/1910
Natural:
Fortaleza - CE
Morte:
04/11/2003
O Quinze, de Rachel de Queiroz
Análise da obra
Publicado em 1930, o romance O Quinze, de Rachel de Queiroz, renovou a ficção regionalista. Possui cenas e episódios característicos da região, com a procissão de pedir chuva, são traços descritivos da condição do retirante. O sentido reivindicatório, entretanto não traz soluções prontas, preferindo apontar os males da região através de observação narrativa.
Em O Quinze, primeiro e mais popular romance de Rachel de Queiroz, a autora exprime intensa preocupação social, apoiada, contudo, na análise psicológica das personagens, especialmente o homem nordestino, sob pressão de forças atávicas que o impelem à aceitação fatalista do destino. Há uma tomada de posição temática da seca, do coronelismo e dos impulsos passionais, em que o psicológico se harmoniza com o social.
A obra apresenta a seca do nordeste e a fome como conseqüência, não trazendo ou tentando dar uma lição, mas como imagem da vida.
Não percebe-se uma total separação entre ricos e pobres, e esta fusão é feita através da personagem Conceição que pertence realmente aos dois mundos. Evitando assim o perigo dos romances sociais na divisão entre "bons pobres" e "maus ricos", não condicionando inocentes ou culpados.
Romance de profundidade psicológica. A análise exterior dos personagens existe, mas sem relevo especial dentro do livro. A autora vai soltando uma característica aqui, outra além, sem interromper a narrativa para minúcias. O lado introspectivo, psicológico é uma constante em toda a narrativa. Ao mesmo tempo em que o narrador informa as ações dos personagens, introduz interrogações e dúvidas que teriam passado por sua cabeça, por seu espírito.
Personagens
Conceição - Não com os alunos, mas com a própria vida. Conceição é forte de espírito, culta, humana e com idéias um tanto avançadas sobre a condição feminina. O único homem que lhe despertou desejos é o primo Vicente.
Vicente - Filho de fazendeiro rico, com condições de mandar os filhos para a escola, Vicente, desde menino, quis ser vaqueiro.
Chico Bento - Chico Bento é o protótipo do vaqueiro pobre, cuidando do rebanho dos outros. Ele é o vaqueiro de Dona Maroca, da fazenda das Aroeiras, na região de Quixadá.
Cordulina - É a esposa de Chico Bento. Personifica a mulher submissa, analfabeta, sofredora, com o destino atrelado ao destino do marido. É o exemplo da miséria como conseqüência da falta de instrução.
Josias - Filho de Chico Bento e Cordulina, tem cerca de dez anos de idade. Comeu mandioca crua e morreu envenenado na estrada.
Pedro - Filho de Chico Bento e Cordulina, é o mais velho, tem doze anos de idade. Desapareceu quando o grupo ia chegando a Acarape.
Manuel (Duquinha) - É o filho caçula de Chico Bento e Cordulina; tem dois anos anos de idade. Foi doado à madrinha, Conceição.
Paulo - Irmão mais velho de Vicente, ele é o orgulho dos pais (pelo menos no início). Estudou, fez-se doutor (promotor) e casou-se na cidade com uma moça branca. Depois de casado, passou a dedicar o seu tempo à família, quase não se interessando mais pelos pais e pelos irmãos. Só então os pais deram valor a Vicente.
Mocinha - Irmã de Cordulina, ficou como empregada doméstica em Castro, na casa de sinhá Eugênia. Arranjou um filho sem pai e tudo indica que vai viver da prostituição.
Lourdinha - Irmã mais velha de Vicente. Casou-se com Clóvis Garcia em Quixadá. No final, têm uma filha, símbolo da felicidade que as pessoas simples e descomplicadas conseguem conquistar.
Alice - Irmã mais nova de Vicente. Mora na fazenda com os pais e os irmãos.
Dona Inácia - Avó de Conceição, espécie de mãe, pois foi quem a criou depois que a mãe verdadeira morreu. É dona da fazenda Logradouro, na região de Quixadá. Não aprova as idéias liberais da neta, principalmente no que diz respeito a ficar solteirona.
Dona Idalina - Prima de Dona Inácia. Idalina é a mãe de Vicente, Paulo, Alice e Lourdinha. Vive com o marido, Major, na fazenda perto de Quixadá.
Major - Fazendeiro rico na região de Quixadá. Entrega a administração da fazenda ao filho Vicente. Orgulha-se de ter um filho doutor: o Paulo, promotor em uma cidade do interior do Ceará.
Dona Maroca - Fazendeira, dona da fazenda Aroeiras na região de Quixadá. Na época da seca, mandou o vaqueiro, Chico Bento, soltar o gado e procurar, por conta própria, meios para sobreviver.
Mariinha Garcia - Moça bonita, de família rica, moradora de Quixadá. Com auxílio de Lourdinha e Alice, faz tudo para conquistar Vicente, mas as tentativas resultam inúteis.
Luís Bezerra - Compadre de Chico Bento e Cordulina. Trabalhara também nas Aroeiras sob o comando de Dona Maroca. Agora, é delegado em Acarape, povoado do interior do Ceará. Foi ele quem conseguiu passagens de trem para que a família do compadre chegasse a Fortaleza.
Doninha - Esposa de Luís Bezerra, madrinha do Josias, o filho de Chico Bento que morreu envenenado na estrada.
Zefinha - Filha do vaqueiro Zé Bernardo. Conceição, acreditando numa conversa que tivera com Chiquinha Boa, acha que Vicente tem um caso com Zefinha.
Chiquinha Boa - Trabalhava na fazenda de Vicente. Na época da seca, achando que o governo do Ceará estava ajudando os pobres que migravam para a capital, deixou a zona rural.
Nos integrantes deste grupo fizemos uma peça com a historia resumida do livro "O QUINZE" de Rachel de QueiroZ.











